de 2017


19/06/2010

Auschwitz-Birkenau: um lugar a não ser revisitado


Há 70 anos atrás, em 14 de junho de 1940, o primeiro comboio ferroviário com os presos chegou a Auschwitz.

Quase 10 milhões de pessoas foram mortas - o número estimado de mortes em campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Judeus, ciganos, poloneses, russos, pessoas com deficiência física e mental, homossexuais e intelectuais foram assassinados pelos nazistas na Alemanha.


O vídeo exibido durante o julgamento de Nuremberg permitiu ao mundo ver a verdadeira dimensão das atrocidades nazistas. Mas não importa o quão horrível é olhar essas imagens, elas ainda são um mero reflexo das memórias daqueles que sobreviveram ao inferno.

Das centenas de campos alemães, Auschwitz-Birkenau foi um dos piores. Milhões foram mortos no espaço de apenas três anos, e os que sobreviveram ainda tremem ao falar do acampamento.


Ekaterina Davydenkova sobreviveu à Auschwitz, mas os pesadelos ainda a assombram até hoje.

"Quando chegamos em Auschwitz-Birkenau, nós vimos o acampamento em meio à neblina. Eram dois grandes edifícios com chaminés que surgiam, com fumaça saindo deles. Todos pensavam que eram as cozinhas, lembra ela. E os soldados nazistas fizeram-nos formar uma linha que conduziu-nos a estes dois edifícios, e ficamos ali, com os pés descalços, no frio, esperando por algo. Quando cheguei perto do edifício, senti o cheiro e pensei, "Alguém está queimando a carne". Em seguida, um carro saiu, carregado até a borda com - bem, eu não poderia saber o que era. Mas ele tinha um cheiro horrível. Somente quando um corpo caiu do carro ao meu lado, eu vi o que carro estava carregando e de onde o cheiro terrível estava vindo. Era de carne humana queimada."


Ekaterina teria morrido da mesma forma se não fosse por uma garota polaca corajosa:

"Eles nos levaram para a câmara de gás. Nós não sabíamos que era uma câmara de gás. Eles só nos disseram para tirar nossas roupas e ficar dentro deste edifício. Primeiro, eles derramaram água fervente sobre as pesoas, por cerca de 15 minutos - e, em seguida, muito fria. Depois disso, eles ligaram o gás. Quando as pessoas morreram, o chão abriu, porque eram automatizadas, e os corpos caíram neste buraco. Mas essa garota, ela só começou a gritar "Estamos presos políticos, políticos! Vocês não podem simplesmente nos matar!" Ela gritava tão alto que os dois soldados que estavam de guarda entraram, e chamaram os seus superiores e eles nos levaram dali, nus, em meio à neve, para nos marcarem."


Auschwitz era o campo apenas para marcar os seus prisioneiros desta maneira. Ekaterina nunca removeu a sua marca, porque não é o número que desencadeia as lembranças.

Ela acabou por ser transferida para Flossenburg na Baviera, em seguida, conseguiu escapar de um trem em Praga, ao ser transferida para o campo de Mauthausen, na Áustria.

Juntou-se à resistência e em 09 de maio de 1945, ela saudou as tropas soviéticas na capital checa.

Desde então, ela se casou, teve filhos, netos, e viveu durante o colapso da União Soviética o seu quinhão de dificuldades e tribulações.

Não há nada que ela não possa fazer, diz ela - além de nunca mais voltar a Auschwitz.



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